sábado, 5 de dezembro de 2009

Mallu Magalhães, Capítulo 2 Crítica - Bravo Online

Com o segundo disco, a cantora prova que o tempo passa de um jeito diferente para ela. E isso vale tanto para sua trajetória profissional como para a pessoal

Por José Flávio Júnior

Uma certeza dava para ter no comecinho de 2008, quando Mallu Magalhães protagonizou os primeiros shows de sua vida na noite paulistana: acompanhar o desabrochar artístico daquela cantora seria uma das atividades mais divertidas dos anos posteriores. Pois acabamos de chegar ao segundo capítulo dessa saborosa história: "De quando a jovem estrela completa 17 anos, descobre o amor e o rock psicodélico - não necessariamente nessa ordem".

Só que o novo disco de Mallu ainda não cabe inteiro nesse título aí. Ele também apresenta a mocinha investindo em ritmos brasileiros, se aproximando do ska jamaicano, sendo acompanhada por orquestra, trabalhando com o produtor brasileiro mais festejado dos últimos tempos (o carioca Kassin) e até mesmo produzindo uma faixa, O Herói e o Marginal, inspirada em Hélio Oiticica. É muita novidade para alguém que literalmente começou outro dia. Mas a velocidade com que as coisas acontecem com Mallu não é a mesma que vale para o resto da humanidade. E, mesmo com tanta inovação, ela não "traiu o movimento". Pelo menos seis das 13 faixas trazem um gostinho daquela Mallu que apareceu com um violão no colo dizendo tocar "folk and roll".

Também somam meia dúzia as canções em português. Considerando que sua estreia continha apenas duas, nota-se uma tendência. E fica a impressão de que esse é um álbum de transição. De que, no terceiro, o português dominará o cenário, assim como as influências de MPB e de outros gêneros que não o folk.

Algo que ficou para trás é a ingenuidade de canções como Tchubaruba, o hit que ela escreveu aos 13. Todas as músicas são muito frescas, fotografias de uma Mallu apaixonada (o namorado Marcelo Camelo pode ser encontrado nos versos de Te Acho tão Bonito e nuns tiques vocais mimetizados) e preocupada em não desapontar as pessoas que já a queriam bem antes da chegada dos fãs (Make It Easy, dedicada à sua mãe, fala disso). Em Compromisso, Mallu conjuga essas duas questões principais. Tendo o pai como confidente, reclama da rotina puxada, que a impossibilita de passar mais tempo com o amado. Vale lembrar que em 2010, quando sair para divulgar esse CD pelos palcos do país, a adolescente ainda estará cursando o último ano do ensino médio!

O rock psicodélico citado lá atrás é o melhor termo para definir músicas como a ótima Bee on the Grass, que mostra o lado mais ambicioso da Mallu compositora. Ecos da fase lisérgica dos Beatles estão nessa faixa e em quase toda parte. Mas nenhuma firula sonora consegue ser mais doida que a própria trajetória dessa guria. To be continued...

José Flávio Júnior é jornalista.

O DISCO
Mallu Magalhães (Agência de Música/Sony), de Mallu Magalhães. Produtores: Kassin e Mallu Magalhães. Preço médio: R$ 30.